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Novo Banco português poderá ser entregue hoje aos chineses

© AFP 2021 / PATRICIA DE MELO MOREIRADepositantes lesados do Novo Banco (antigo Banco Espirito Santo) manifestam-se
Depositantes lesados do Novo Banco (antigo Banco Espirito Santo) manifestam-se - Sputnik Brasil
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Termina nesta segunda-feira (31) o prazo para um dos maiores bancos portugueses, o Novo Banco, ser vendido.

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Muito provavelmente o banco passará para os chineses da seguradora Anbang. Entre as três melhores ofertas (a norte-americana Apollo, as chinesas Fosun e Anbang) foi esta última a oferecer mais dinheiro ao Governo português. Ora esse parece ter sido o único critério de escolha do futuro dono do banco.

Há muito que os economistas avisavam: o endividamento de Portugal iria obrigar a venda de empresas a investidores estrangeiros, escreve o jornal on-line Observador. Tudo veio a acontecer precisamente assim. 

Só entre 2008 e finais de 2014, os portugueses venderam a investidores estrangeiros empresas e participações num valor próximo dos 37 bilhões de euros, o equivalente a mais de 21% do produto interno bruto (PIB), acrescenta o Observador. Este número não engloba a venda da transportadora aérea nacional, a TAP. 

O problema de privatizações feitas às pressas já foi abordado pelo presidenciável português Paulo Morais numa entrevista à Sputnik:

“As empresas foram vendidas a qualquer preço, a saldo”, opina. 

O Governo aprovou legislação sobre a privatização de empresas estratégicas muito convenientemente só depois de ter vendido a maior parte delas. A opinião pública parece ter se conformado com o fato de os chineses já participarem ou controlarem muitas empresas-chave do país.  

O Novo Banco resultou do calote do Banco Espírito Santo, que deixou de existir em agosto de 2014. O Banco de Portugal assumiu o controle da instituição fundada pela família Espírito Santo, tendo separado o banco em duas partes, ficando os ativos e passivos de qualidade num “banco bom”, denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos, no “banco mau” (o BES) tendo sido retirada a licença bancária a este último.

Mesmo entre os economistas, são grandes as dúvidas sobre a venda do Novo Banco aos chineses.

Em causa, estão dúvidas sobre as condições financeiras da venda e as implicações de ter uma empresa chinesa a controlar um dos maiores bancos portugueses, lê-se no site da Rádio Renascença.

O banco deverá ser vendido por um valor de cerca de 4,9 bilhões de euros, dos quais 3,9 bilhões foram injetados pelo Estado em 2014. Ora a proposta da Anbang é de apenas 3,2 bilhões de euros. 

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A seguradora chinesa Anbang tem apresentado condições que já foram consideradas inaceitáveis. Os chineses têm também tentado baixar o preço inicialmente proposto. Para além disso, a crise na bolsa chinesa faz com que a proposta atual tenha uma desvalorização perto dos dois mil milhões de euros.

A escolha da seguradora Anbang tem suscitado dúvidas também porque deverá ser mais escrutinada pelo Banco Central Europeu. O investidor chinês mantém relações opacas entre as sociedades associadas e é politicamente dominado, pelo que se desconhece se cumpre as regras, o que impede uma boa fiscalização por parte do BCE, conforme escreve o jornal Público.

O prazo para a conclusão do negócio termina hoje à meia-noite e o Governo já fez saber que pretende vender a quem oferecer mais dinheiro. 

Uma vez que o único objetivo do Governo parece ser arrecadar receitas seja de que maneira for, de forma a pagar os juros exigidos pelos credores do FMI, para o Governo não importa que as empresas vendidas a estrangeiros passem a retirar os seus lucros do país, nem se importa que sejam vendidas à China, à Arábia Saudita ou a outro país. Também parece não se importar que a venda seja feita com prejuízo, visto que os contribuintes nunca terão escolha: esses terão sempre que pagar.

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