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Governos sul-americanos se solidarizam com Dilma contra o impeachment

© Lula Marques/ Agência PTFoto oficial dos participantes Cúpula do Mercosul
Foto oficial dos participantes Cúpula do Mercosul - Sputnik Brasil
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Há uma crescente apreensão em alguns países da América do Sul com o que poderá acontecer com o Brasil e com eles mesmos se, eventualmente, for instaurado um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff.

Na Venezuela, o Presidente Nicolás Maduro já se manifestou claramente sobre o assunto, e na Casa Rosada o temor é de que a crise política brasileira afete seriamente a economia argentina. 

O especialista em políticas latino-americanas Márcio Malta, pesquisador do curso de Ciências Sociais da UFF – Universidade Federal Fluminense e professor de Relações Internacionais, fala sobre o assunto com exclusividade para a Sputnik Brasil.

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Sputnik: Como o senhor analisa esta preocupação dos Governos sul-americanos em torno do que possa acontecer em seus países e no próprio Brasil se ocorrer a instauração de um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff?

Márcio Malta: Eu vejo isso com normalidade, porque as notícias que nos chegam dão conta de que principalmente Venezuela e Argentina, na semana passada, também a Bolívia, e resgatando um pouquinho do passado, igualmente o Chile já demonstravam uma preocupação com o cenário político do nosso país. É importante assinalar que não é somente uma preocupação política. Vamos fazer uma clivagem: é uma preocupação também econômica, sobretudo por parte dos argentinos, que sofrem bastante quando existem crises econômicas no Brasil, porque as exportações do país vizinho tendem a cair.

S: Um recente comentário da Presidente Cristina Kirchner, da Argentina, diz o seguinte: “Há uma conspiração na América do Sul para desestabilizar governos populares e democráticos. Tentaram impedir, de todas as maneiras, que Dilma fosse reeleita.” E prossegue a presidente da Argentina: “Os panelaços têm marca registrada, e sabem de quem é? De uma agência muito importante de um país da América do Norte e que costuma intervir na política da América do Sul”, numa clara referência à CIA, a Agência de Inteligência dos EUA. O que lhe parece esta declaração?

MM: É certo, porque no século XXI, especialmente o que nós vemos é uma tentativa de desestabilizar governos mais à esquerda, governos progressistas. Nós podemos remontar, por exemplo, ao episódio, no começo do século XXI, da tentativa de derrubada do Presidente Hugo Chávez na Venezuela. Dali para cá, houve diversas tentativas neste sentido, muitas das vezes não através de um golpe explícito, mas através de um golpe branco como o que aconteceu com o Presidente Lugo, do Paraguai. Tentativa de desestabilizar o governo e tentativas de derrubar esses governos através, muitas vezes, de processos de impeachment. Aqui no Brasil é diferente. O que tem acontecido é uma tentativa de prorrogar uma discussão que remonta à eleição do ano passado. A oposição não está aceitando a derrota, o que tem sido chamado de uma espécie de terceiro turno. Mas acho importante irmos com calma neste momento porque não é somente um processo de desestabilização que vem de fora. O Governo Dilma tem sofrido bastante com a queda de sua popularidade e acho que o Governo Dilma também é responsável por essas manifestações. Afinal de contas, o ajuste fiscal que é impetrado pelo próprio Governo e as alianças que tem feito com setores conservadores da sociedade levaram em boa parte a este cenário por que estamos passando neste momento.

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S: Saúl Ortega, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional da Venezuela, disse que a eventual derrubada do Governo Dilma seria uma violação da ordem constitucional que levaria a Venezuela a exigir medidas de retaliação na Unasul, no Mercosul e até na ONU.

MM: Eu tenho acordo com este entendimento. Nós temos que rechaçar qualquer tentativa de violação do marco legal. Nós temos um Governo eleito democraticamente através das urnas, e esta declaração vem neste sentido. Vale destacar também que o Presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, assim como o Presidente Evo Morales, da Bolívia, têm se posicionado como apoio político que é fundamental neste momento. É importante destacar esta aliança que existe desde a década passada, desses países da América do Sul.

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