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Brasil e Alemanha reafirmam cooperação para alavancar comércio Mercosul-União Europeia

© Roberto Stuckert Filho / PRPresidenta Dilma Rousseff e a Chanceler da República Federal da Alemanha, Angela Merkel, em Brasília
Presidenta Dilma Rousseff e a Chanceler da República Federal da Alemanha, Angela Merkel, em Brasília - Sputnik Brasil
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A visita da chanceler da Alemanha ao Brasil foi considerada pela Presidenta Dilma Rousseff como histórica. Não só pelos resultados obtidos em acordos, mas pela inauguração de um formato inovador de trabalho, num encontro de gabinetes e de ministérios numa consulta de alto nível, confirmando a sólida cooperação entre os dois países.

Depois de oferecer na noite de quarta-feira (19) um jantar de trabalho para Angela Merkel, sua comitiva e autoridades, Dilma, a chanceler alemã e seus respectivos ministros participaram nesta quinta-feira de algumas reuniões no Palácio do Planalto, em Brasília. Nesses encontros, foram assinados ao todo 17 acordos bilaterais, promovendo a cooperação e o diálogo em áreas como inovação aplicada a processos produtivos, pesquisa marinha, terras raras, bioeconomia, educação, saúde e segurança alimentar e nutricional.

Durante discurso para a imprensa após reunião privada com Merkel, a presidenta brasileira defendeu que, no ano em que a ONU, Organização das Nações Unidas, completa 70 anos, é urgente a necessidade de se fazer a reforma em seu Conselho de Segurança.

“Brasil e Alemanha dialogam permanentemente sobre os grandes temas globais. Concordamos que a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas é tarefa inadiável. E, no marco de 70 anos da ONU, defendemos o quanto antes as negociações efetivas para tornar o conselho mais representativo do mundo multipolar onde todos nós vivemos”.

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU é formado por cinco países permanentes, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, e por outros dez membros não fixos, que se revezam em mandatos de dois anos.

Segundo Dilma, os países do G4, formado por Brasil, Alemanha, Japão e Índia, seriam parceiros na questão da ampliação do Conselho, e devem se reunir para discutir o assunto antes da Assembleia Geral da ONU, marcada para o dia 28 de Setembro.

Atualmente, a Alemanha é o quarto parceiro comercial do Brasil, atrás de China, Estados Unidos e Argentina. Em 2014, de acordo com o Itamaraty, o comércio entre os países chegou a mais de US$ 20 bilhões.

No pronunciamento desta quinta-feira, Dilma Rousseff destacou também a importância da Alemanha como um dos principais investidores no Brasil, com cerca de 1.600 empresas atuando no país, e reafirmou a vontade do governo brasileiro na conclusão do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que visa a ampliar o comércio entre os blocos. A expectativa dos países sul-americanos é a de que a troca de ofertas no contexto dessa parceria seja apresentada até o fim deste ano.

Destacando as oportunidades para ampliar os investimentos alemães no Brasil, principalmente nas áreas de infraestrutura e energia elétrica, com foco nas energias renováveis como biomassa, eólica, solar, Dilma aproveitou para convidar os empresários alemães a participarem das licitações da segunda etapa do Programa de Investimento em Logística, com foco em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

“Estimulamos também o fortalecimento das parcerias, dos negócios entre nossos empresários, incluindo o fomento a investimentos, a joy ventures entre pequenas e médias empresas. Ressaltei as oportunidades para a ampliação dos investimentos alemães no Brasil, especialmente em infraestrutura e em energia elétrica. Aproveito para reiterar o convite para que empresas alemãs participem dos processos licitatórios envolvendo a segunda etapa do Programa de Investimento em Logística e da etapa agora que abrimos do Programa de Investimento em Energia Elétrica”.

Segundo o serviço de imprensa da presidência, os dois governos também adotaram importantes iniciativas em educação, ciência, tecnologia e inovação, áreas que seriam prioritárias para o aumento da produtividade e economia e para a consolidação das conquistas sociais no Brasil. Entre essas iniciativas estaria o desenvolvimento conjunto do Veículo Lançador de Satélite Brasileiro (VLM1).

Sobre a questão ambiental, Dilma informou que Brasília e Berlim que vão trabalhar em conjunto para enfrentar aquele que é um dos maiores desafios do Século 21, a mudança climática. A presidenta reafirmou o compromisso brasileiro com a descarbonização, para frear o aquecimento global.

"Nós hoje chegamos a uma declaração conjunta importante sobre mudança do clima, que mostra o compromisso de trabalharmos juntos na Cop 21 [Conferência do Clima que vai ocorrer em dezembro, em Paris], e para além da Cop 21, a nossa visão de que o século necessita que tenhamos o compromisso de que, até o final dele, nós tenhamos a descarbonização e não permitamos que haja um aumento de 2 graus na temperatura”.

Entre outros assuntos, a chefe de Estado brasileira finalizou o seu discurso anunciando financiamentos alemães para projetos de energia renovável e mobilidade urbana e sublinhando a conversa que teve com Merkel sobre a evolução da governança na internet, com destaque para a questão da defesa da privacidade no mundo digital.

Já a chanceler alemã disse que tem acompanhado o desenvolvimento muito intenso do Brasil ao longo dos anos, citando como prova dos avanços conquistados durante os últimos governos o fato de o país ter sido retirado pela ONU do mapa mundial da fome em 2014.

Merkel elogiou a posição de liderança do Brasil na questão das negociações do Mercosul com a União Europeia, prometendo trabalhar muito para que a comissão europeia acelere essas negociações.

E, para finalizar, ela lembrou que, em setembro, haverá o encontro econômico Alemanha-Brasil, que deverá ampliar ainda mais a cooperação bilateral, abrangendo também as pequenas e médias empresas.

No ano passado, a chanceler alemã esteve no Brasil para acompanhar o jogo entre Alemanha e Portugal, em Salvador, pela Copa do Mundo. O último encontro entre as chefes de Estado aconteceu em junho deste ano, durante a Cúpula União Europeia – Celac, em Bruxelas, na Bélgica.

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