Dólar vs. petróleo: o futuro dos EUA depende do acordo com o Irã

© AFP 2022 / BEHROUZ MEHRIVista de Teerã, capital do Irã
Vista de Teerã, capital do Irã - Sputnik Brasil
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No momento em que o Congresso norte-americano se prepara para votar o acordo nuclear com o Irã, o chanceler dos EUA, John Kerry, apela a uma decisão positiva, advertindo contra o enfraquecimento do dólar.

John Kerry - Sputnik Brasil
Kerry: recusa do acordo nuclear com Irã poderá enfraquecer o dólar
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez declarações à agência Reuters na terça-feira (11) a favor da aprovação pelo Congresso do acordo com o Irã, alcançado no mês passado.  O chanceler sublinhou a importância de aprovar o acordo visto que, caso não seja aprovado, os aliados dos EUA na União Europeia poderão se afastar dos EUA.

"Se nós voltarmos as costas e anularmos o acordo, e em seguida dissermos [aos nossos parceiros] que, de qualquer forma, eles precisam cumprir as nossas regras e sanções, então, rapidamente, o dólar deixará de ser a moeda de reserva do mundo", disse.

Segundo explica a publicação The Financial Times, o petróleo é um tipo de âncora para os mercados mundiais de capital por razão da sua conexão inversa com o dólar. Quando o preço do petróleo aumenta, a taxa de câmbio do dólar cai em relação a outras moedas. Os exportadores do petróleo recebem pagamentos em dólares e depois os vendem, pois, quanto mais caro se torna o petróleo, mais baixo cai o dólar.

O cientista político iraniano e redator-chefe da agência noticiosa Mehr, Hassan Hanizadeh, comentou o assunto à Sputnik Persian:

“A especificidade da moeda norte-americana consiste em que é muito dependente dos principais eventos políticos no mundo e especialmente dos que acontecem no Oriente Médio. Se o sexteto e o Irã não tivessem alcançado o acordo em 14 de julho, […] a situação poderia se tornar um choque para a economia americana, especialmente tendo em conta a queda dos preços do petróleo nos últimos seis meses.”

Lembramos que, em 2006, o Conselho de Segurança da ONU impôs sanções depois que o Irã se recusou a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, argumentando que ele só tinha fins civis.

Em 14 de julho, 2015, após 12 anos de negociações, o Irã e o sexteto de mediadores internacionais (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), chegaram a um acordo abrangente para garantir a natureza pacífica do programa nuclear de Teerã em troca do alívio das sanções. 

Torre Milad em Teerã - Sputnik Brasil
Empresas alemãs retornam ao Irã
As sanções tiveram um impacto muito sério na economia do Irã, sublinhou Hassan Hanizadeh:

“A União Europeia perdeu no mesmo período cerca de 400 bilhões de dólares por razão da cooperação econômica com o Irã. Atualmente, as empresas tentam reestabelecer sólidos laços econômicos e comerciais com o Irã.”

O acordo foi entregue ao Congresso dos EUA para ser aprovado. Os congressistas irão decidir o futuro do documento em 17 do setembro.

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