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Opinião: Etnocracia de Kiev ameaça minorias na Ucrânia

© AFP 2021 / MIRCEA RESTEAEm frente à embaixada da Ucrânia em Bucareste, romenos acendem velas em sinal de respeito às vítimas dos violentos protestos da Praça Maidan em fevereiro do ano passado, os quais resultaram na subida ao poder do governo nacionalista ucraniano pró-ocidental de Pyotr Poroshenko.
Em frente à embaixada da Ucrânia em Bucareste, romenos acendem velas em sinal de respeito às vítimas dos violentos protestos da Praça Maidan em fevereiro do ano passado, os quais resultaram na subida ao poder do governo nacionalista ucraniano pró-ocidental de Pyotr Poroshenko. - Sputnik Brasil
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O governo nacionalista ucraniano comandado por Pyotr Poroshenko representa uma etnocracia que põe em risco os direitos políticos das minorias étnicas no país, segundo disse à Sputnik o analista de Relações Internacionais especializado em Leste Europeu Felipe Diniz.

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Segundo o especialista, o fato é evidenciado pela recente demanda por autonomia dos romenos dentro da Ucrânia. 

Na quarta-feira (29), a recém-criada Assembleia da Bucovina do Norte, grupo que pretende representar a minoria romena nacional da Ucrânia, declarou a região de Chernivtsi, na parte ocidental do país, como uma "província da Romênia", segundo relatou a revista Timer. 

“Para entender essa questão é preciso entender o que acontece hoje na Ucrânia e por que esta assembleia constituinte dos romenos na Bucovina deu essa declaração logo agora”, sublinhou Diniz.

Segundo o analista, os romenos vivem na região há muito tempo e é significativo que esta demanda por autonomia tenha surgido no contexto atual, isto é, diante dos resultados da ofensiva de Kiev contra os movimentos de independência no leste do país.

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“A Ucrânia se encontra dividida. Uma parte está no controle de Kiev, sob um governo ultranacionalista, pró-europeu, e há as províncias ditas rebeldes – que buscam um alinhamento com a Rússia e uma independência –, sem contar com o caso da Crimeia, que, hoje em dia, já é uma região 100% russa”, expôs Diniz.

“Muitos meios de comunicação têm mostrado que o atual governo da Ucrânia (…) tenta capturar o Estado dentro de uma etnocracia do grupo étnico ucraniano”, afirmou o especialista, lembrando que o oblast da Bucovina sofre com esta investida nacionalista por se encontrar na zona de domínio de Kiev.

A situação, de acordo com Diniz, é semelhante à que aconteceu na Letônia, país com grande população russa, mas onde, não obstante, o Estado foi raptado para uma etnocracia nacionalista letã após o fim da URSS. Assim, segundo o analista, a minoria russa da Letônia foi sendo marginalizada por meio de medidas institucionais, tais como a aprovação de leis que limitam o uso da língua russa e que restringem os direitos de cidadania para os russos étnicos no país.

Ainda de acordo com Diniz, até o começo da crise as minorias da Ucrânia conseguiam viver em "relativa harmonia". 

“Mas, a partir do momento em que sobe um governo nacionalista em Kiev, é claro que a população romena, que não é nem eslava –os romenos são um povo latino – se enxerga numa posição de risco. Quando [o governo] adota uma atitude em que ‘tudo que é ucraniano é superior’, as outras identidades se sentem em risco”, constatou o especialista.

E, para Diniz, o que acontece na Bucovina, com a questão romena, pode acontecer também com outras minorias no território da Ucrânia, como os poloneses e os eslovacos. Apesar da etnificação do Estado ucraniano ser uma resposta aos conflitos com os russos no leste do país, as consequências atingem todas as minorias do território direta ou indiretamente.

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Com o objetivo de "salvaguardar os direitos dos romenos que vivem em uma província romena que atualmente faz parte da Ucrânia", os organizadores da Assembleia da Bucovina do Norte argumentaram que Chernivtsi precisa ganhar um estatuto especial de autonomia dentro do país devido à falta de segurança gerada pela crise interna ucraniana. A demanda ganhou força após os recentes acontecimentos em Mukachevo, onde membros do grupo ultranacionalista ucraniano Setor de Direita, armados com metralhadoras e granadas, abriram fogo contra civis e policiais.

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O Setor de Direita é um movimento que reúne uma série de organizações radicais nacionalistas na Ucrânia. Em janeiro e fevereiro de 2014, membros do grupo participaram de confrontos com a polícia e da invasão de diversos prédios administrativos do país, e desde abril do ano passado promovem repressão a protestos no sudeste ucraniano. 

Em novembro de 2014, a Corte Suprema da Rússia reconheceu o Setor de Direita como uma organização extremista e proibiu suas atividades em território russo. Em janeiro de 2015, o grupo foi incluído na lista de organizações proibidas na Rússia. O líder do movimento, Dmitry Yarosh, enfrenta igualmente na Rússia acusações de incitação à atividade terrorista.

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