Rússia lamenta que criadores do tribunal sobre MH17 politizaram o assunto

© Sputnik / Andrei SteninEquipes de resgate no local da queda do MH17 no leste da Ucrânia
Equipes de resgate no local da queda do MH17 no leste da Ucrânia - Sputnik Brasil
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Moscou lamenta que os iniciadores da criação de tribunal internacional para investigar o acidente do voo MH17 em julho passado na Ucrânia politizaram o assunto e aceleraram demasiado a sua apresentação na ONU, diz um comunicado da Chancelaria russa nesta quinta-feira (30).

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Lembramos que a Rússia vetou nesta quarta-feira no Conselho de Segurança da ONU uma resolução pedindo a criação de um tribunal especial para julgar os responsáveis pela queda do voo MH17 sublinhando várias vezes que esta resolução é contraproducente e extemporânea. 

“Lamentamos que os iniciadores da sessão terminada ignoraram a nossa sugestão. Em vez disso, eles optaram por apresentar de maneira acelerada a sua opção de criação de um tribunal internacional sem discutir outras medidas”, diz-se no comunicado. 

Segundo o Ministério do Exterior, os avisos russos sobre o caráter contraproducente e extemporâneo do tribunal não foram considerados. 

“Nestas circunstâncias a Federação da Rússia, que tentou prevenir a divisão no Conselho de Segurança da ONU por todos os meios possíveis e transferir este assunto numa direção mais construtiva, não achou possível adotar uma decisão politizada forçada no Conselho de Segurança por meio de votar contra ela”, sublinha o comunicado. 

O redator-chefe da revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional), Igor Korotchenko comentou o assunto:

“A aplicação de veto foi uma decisão forçada porque a criação de tribunal significaria a politização da investigação. Já é conhecido de antemão de que se ocuparia o tribunal. Seria a mesma coisa como no caso do famoso Tribunal sobre a ex-Iugoslávia que culpou só os sérvios e tornou-se um dos instrumentos de pressão política”.

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Ele também explicou as expectativas da Rússia:

“A Rússia espera que a investigação seja realizada por uma comissão internacional da ICAO [Organização da Aviação Civil Internacional]. E que, entretanto, serão considerados os relatos feitos nomeadamente pela corporação russa Almaz-Antei cujas conclusões <…> testemunham que o míssil que destruiu o Boeing malaio foi um míssil ucraniano do complexo ucraniano Buk M1 <…> Além disso, as coordenadas do lugar de lançamento dizem que esta área ficava sob controle do exército ucraniano em 17 de julho 2014 quando aconteceu o acidente. A Rússia está interessada numa investigação justa e objetiva”.

Em 17 de julho de 2014, um avião da Malaysia Airlines que fazia o voo MH17 entre Amsterdã e Kuala Lumpur foi abatido no sudeste da Ucrânia (Donbass). Todas as 298 pessoas a bordo da aeronave morreram no acidente. Forças de Kiev e os independentistas da região têm repetidamente culpado um ao outro pela tragédia.

No dia 15 de julho a Malásia introduziu no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução sobre a criação de um tribunal internacional de investigação do acidente do voo MH17.

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