Grécia assinou acordo em que ninguém confia

© REUTERS / Vincent KesslerO premiê da Grécia, Alexis Tsipras, chega ao Parlamento Europeu.
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Em meio a demissões e instabilidade, Grécia assinou um acordo que só propõe ao país uma ponte fraca.

O documento que o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, assinou na terça-feira, não resolve a situação. Foi ele mesmo que o disse.

"Eu assumo completamente as minhas responsabilidades pelas falhas e pelos lapsos, e também a responsabilidade por assinar um texto em que eu não acredito, mas estou obrigado a implementar", disse Tsipras, ao assinar o acordo de compromisso sobre a crise da dívida grega.

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O acordo prevê um subsídio "ponte" de 7 bilhões de euros que a Comissão Europeia deverá pagar à Grécia para aliviar o clima econômico e financeiro do país, que estava no limiar de default.

Mas a ponte é fraca, e isso é admitido por todas as partes.

O acordo da terça-feira adia por um prazo ainda indefinido a saída do país da zona do euro — a assim chamada Grexit, temida pela União Europeia. O documento foi assinado um pouco mais de uma semana depois do referendo em que o povo da Grécia votou contra as medidas de austeridade impostas pela União Europeia, com a Alemanha como o principal credor.

O acordo não é visto com bons olhos nem pela FMI, que estimou que a dívida grega é "extremamente insustentável".

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Desde a sua ascensão política, neste ano, Tsipras, junto com a coalizão no poder no seu país, defendeu a reestruturação da dívida grega e mais independência nos assuntos econômicos dentro da UE. O referendo realizado em 5 de julho foi o auge do programa da coalizão. E o "motor do não" do referendo, o ex-ministro das Finanças Yannis Varoufakis, demitiu-se justamente depois do plebiscito, deixando a mensagem de que cumpriu a sua tarefa.

Já nesta quarta-feira (15), quem demitiu-se foi a vice-ministra das Finanças da Grécia, Nadia Valovani. Explicando a sua ação, ela disse que não podia continuar exercendo as suas funções na situação atual.

© AFP 2022 / LOUISA GOULIAMAKINadia Valavani, ex-vice-ministra das Finanças da Grécia
Nadia Valavani, ex-vice-ministra das Finanças da Grécia - Sputnik Brasil
Nadia Valavani, ex-vice-ministra das Finanças da Grécia

"Alexis [Tsipras], quando houve desafios, eu estou pronta para servir em qualquer qualidade, até o fim, Mas no caso em que a nossa delegação voltou com obrigações que preveem medidas nascidas mortas, quando com cada avaliação [pelos credores do estado das reformas] estaremos ante o dilema: ou desistirmos, ou fazermos a Grexit, — eu não vejo possibilidade nenhuma de permanecer no governo", reza a carta de demissão da ex-vice-ministra.

No entanto, Valovani afirmou que "a luta, eu quero confiar nisso, continua".

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