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Banco do BRICS vai aumentar visibilidade e caráter institucional do bloco

© AP Photo / Ivan SekretarevFrom left in front row: Russian President Vladimir Putin, Indian Prime Minister Narendra Modi, Brazilian President Dilma Rousseff, Chinese President Xi Jinping walk for a plenary session during the summit in Ufa, Russia, Thursday, July 9, 2015
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“Com o Banco do BRICS, o bloco, que ainda era visto por muitos como uma plataforma informal, passa por uma transição para uma estrutura institucional que demonstra o compromisso dos países membros de fortalecer e institucionalizar a cooperação.” A afirmação é do especialista Oliver Stuenkel, com exclusividade para a Sputnik.

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O Professor Oliver Stuenkel é autor do livro "BRICS e o Futuro da Ordem Global" e no início de 2016 vai lançar “Mundos Paralelos – Como as Potências Emergentes Estão Transformando o Mundo” (título provisório), sobre o impacto que o Novo Banco de Desenvolvimento e outras instituições do BRICS poderão causar e como esse processo será visto por políticos, intelectuais e toda a sociedade dos Estados Unidos e dos países da Europa e da África.

A respeito do Banco do BRICS e de outros temas da 7.ª Cúpula do bloco, realizada em Ufá, na Rússia, nestas quarta e quinta-feiras, 8 e 9 de julho, o especialista concedeu esta entrevista exclusiva.

Sputnik: Qual a importância do Banco do BRICS, para os países do bloco e fora dele?

Oliver Stuenkel: O Novo Banco de Desenvolvimento é importante porque até agora o bloco BRICS ainda era visto, por muitos observadores, como uma plataforma informal. De fato, estamos vendo uma transição do grupo para algo muito mais importante, que tem uma estrutura institucional, o que demonstra o compromisso que os países têm de fortalecer e institucionalizar a cooperação, e será por meio deste Banco, principalmente, que o grupo aumentará a sua visibilidade. Este é um projeto muito complexo. Houve ao longo das últimas semanas discussões entre especialistas, e este é o grande tema. Além disso, temos um número inédito de novas plataformas de eventos e formatos para fortalecer a cooperação, não só na área de governo mas também na sociedade. Ao longo das últimas semanas, em Moscou principalmente, houve uma série de reuniões de representantes de universidades, grupos não governamentais, especialistas em saúde pública, educação, etc. O que se viu claramente nessa Cúpula é que ela é o ponto inicial de uma cooperação mais ampla, sempre lembrando que as sociedades que fazem parte do grupo BRICS ainda não se conhecem tão bem, e existe muito potencial para fortalecer a cooperação. Nesse sentido, essa Cúpula é o símbolo dessa estratégia de aumentar a cooperação.

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S: Muitos questionam a existência deste grupo, perguntando o que podem ter em comum dois países da Ásia (Índia e China), um da Eurásia (Rússia), um da América do Sul (Brasil) e um do continente africano (África do Sul). Como se pode responder a este questionamento?

OS: Desde 2008, quando houve a primeira reunião do BRIC, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, e de 2009, quando se realizou a primeira Cúpula, temos visto ações de cooperação em muitas áreas, e não apenas a questão de ter coisas em comum. Como exemplos, na agricultura, que é um tema em que o Brasil tem muita expertise, ou na ciência e tecnologia, área em que a Rússia detém muito conhecimento. Então, não precisam ser países iguais. Os países podem aprender uns com os outros.

Porém, em muitas outras áreas, há de fato interesses em comum – por exemplo, a necessidade de adequar instituições internacionais à nova realidade. Os países BRICS têm articulado há anos a necessidade de reformar o Banco Mundial e o FMI, e não têm sido atendidos.

A criação do Novo Banco de Desenvolvimento deve ser vista neste contexto, da incapacidade das instituições existentes de se adequarem às demandas dos países emergentes por mais espaço e por mais representatividade.

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Há uma série de outras questões, como, por exemplo, o projeto de incrementar as porcentagens de moedas nacionais utilizadas em transações entre os países BRICS.

E há tantas áreas para cooperação que tornam nulo o argumento de que os BRICS não têm nada em comum e portanto não fazem sentido na formação do bloco. Isso parte um pouco de uma perspectiva da Europa e dos Estados Unidos, de que o grupo, em si, pode representar um risco, porque, se de fato esses cinco países conseguirem concordar, pela primeira vez eles desafiarão o controle que o G7 teve por muito tempo sobre o debate internacional.

Neste sentido, o bloco representa um símbolo desse processo de multipolarização, e precisamos olhar muito além daquele argumento comum que ouvimos tanto, de que os países BRICS são muito diferentes e, portanto, não podem cooperar. Os últimos cinco, seis anos mostram que existe potencial, e tenho certeza de que nos próximos cinco, dez anos veremos muitos outros projetos de cooperação entre os cinco países.

Do ponto de vista brasileiro, existe uma questão ainda mais interessante, porque a Cúpula do BRICS coincidiu com outra cúpula, que reúne vários países membros da Eurásia, da Organização para a Cooperação de Xangai. Isso será útil para o Brasil se aproximar daquela região, conhecer melhor a sua dinâmica, porque tradicionalmente todo o contexto da Eurásia é pouco conhecido por pensadores, políticos e diplomatas brasileiros.

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