Estado Islâmico volta a destruir monumento em Palmira

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Membros do Estado Islâmico voltaram a vandalizar a cidade histórica de Palmira, na Síria, segundo afirmou nesta quinta-feira o diretor de antiguidades do país, Maamoun Abdelkarim, descrevendo o que seria o pior crime já cometido pelo grupo terrorista contra o patrimônio local.

O novo atentado teria ocorrido no último sábado, contra a famosa estátua do Leão de Al-Lat, localizada na entrada do museu da cidade. O monumento de três metros de altura e quase 15 toneladas foi totalmente destruído, de acordo com Abdelkarim. 

Segundo explicou Maamun Abdelkarim, esta estátua é a mais valorizada que o Estado Islâmico destruiu até o momento.

© Foto / Wikipedia/MappoLeão de Al-Lat, localizada na entrada do museu da Palmira
Leão de Al-Lat, localizada na entrada do museu da Palmira - Sputnik Brasil
Leão de Al-Lat, localizada na entrada do museu da Palmira
A peça, do século I AC, não sofreu qualquer dano durante os mais de quatro anos de guerra na Síria, porque as autoridades a protegeram com um placa de ferro e sacos de areia. Mas a medida não foi suficiente para a salvar das mãos dos jihadistas.

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Descoberta em 1977 por uma missão arqueológica polonesa no templo de Al-Lat, deusa árabe do período pré-islâmico, a estátua criada no primeiro século antes de Cristo havia sido colocada em uma estrutura de metal justamente para protegê-la dos intensos combates na região. Mas, segundo Abdelkarim, as autoridades não imaginavam que o Estado Islâmico chegaria até a cidade para destruí-la.

O diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Maamun Abdel Karim, comentou o ato de vandalismo exclusivamente à Sputnik.

"Os combatentes do EI destroem monumentos de tamanho médio usando ferramentas pesadas, por exemplo, machados, martelos e outras armas pesadas. Para destruir objetos culturais grandes eles usam explosivos, como aconteceu nas cidades da Hatra e Nimrud no Iraque. É do Iraque via a fronteira aberta com a Turquia que são fornecidos a eles os explosivos e técnica para destruir grandes edifícios, por exemplo túmulos em Palmira".

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O especialista declarou que no leilão na cidade de Manbij (norte da Síria) todos os objetos foram da Palmira:

"Todos os objetos foram da Palmira. Mas a maioria dos objetos destruídos tem cópias em outros museus, com exceção do Leão de Al-Lat".

Apesar de destruir os objetos da cultura nas áreas do seu controle, os membros do Estado Islâmico também participam na contrabanda dos objetos.
Estátuas, pinturas, artefatos e mosaicos antigos roubados são exportados à Turquia do norte da Síria porque lá a fronteira é aberta e incontrolada:

"Tentáramos explicar ao lado turco que, apesar as divergências políticas dos governos, antiguidades não devem sofrer disso, porque a sua destruição é importante para todos os povos. A Turquia recusou-se a cooperar'.

Segundo o especialista, os objetos são transportados do ocidente da Síria ao Líbano e, graças a Interpol, a maioria dos objetos roubados foi retornada.

Em outras partes do país os terroristas transportam os bens roubados via Jordânia e Israel para a Europa ou a América de Norte.

Maamun Abdel Karim sublinhou que para combater contrabanda é importante controlar as fronteiras:

'A ajuda mais eficaz do mundo é o controle das fronteiras. O problema é que as fronteiras sírias são abertas e não controladas".

O Estado Islâmico capturou Palmira, considerada um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, no último dia 21 de maio, causando grande preocupação em toda a comunidade internacional. Até o momento, apesar de alguns ataques contra templos e monumentos da cidade, a maior parte dos patrimônios históricos permanece intacta. Mas há relatos de que o EI teria minado todo o local.

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