Artistas como imigrantes ilegais, muro na fronteira: exemplos da hospitalidade europeia

© AFP 2022 / ALEXANDER JOEDançarinas tradicionais do Benim em um evento com a ONU. Foto de arquivo
Dançarinas tradicionais do Benim em um evento com a ONU. Foto de arquivo - Sputnik Brasil
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O problema dos imigrantes ilegais preocupa a cada vez mais a Europa. Tanto que até um conjunto folclórico africano ficou detido pela polícia, por suspeita de serem refugiados.

Ocorreu nesta quarta-feira na República Tcheca. Após terem feito uma apresentação na cidade de Uhersky Brod, 11 integrantes de um conjunto folclórico do Benim viajaram para a cidade histórica de Uherske Hradiste, onde foram confundidos pelos habitantes com imigrantes ilegais e em seguida detidos pela polícia.

O mal-entendido esclareceu-se na delegacia, após o guia turístico que acompanhava o grupo ter comprovado que se tratava de artistas estrangeiros, e não buscadores de asilo.

Segundo o jornal tcheco Blesk, o guia tinha esquecido de pedir às artistas beninenses de levarem consigo os passaportes, para evitar serem levadas para a delegacia.

"Naquele dia, elas fizeram uma apresentação em Uhersky Brod. Depois, elas foram ver Uherske Hradiste. Porém o seu guia não sabia que precisavam ter passaportes", disse Petr Horehled, secretário do festival do qual as africanas participavam.

Segundo fontes locais, o conjunto não irá se queixar das ações da polícia. Agora, as artistas precisam enviar seus passaportes escaneados para a delegacia, para comprovar as suas identidades e fechar formalmente o caso.

A tendência contra os imigrantes ilegais está tomando conta da República Tcheca. Nesta quarta, em Praga (capital), haverá também uma manifestação contra as cotas de distribuição de refugiados e outras iniciativas propostas pela Comissão Europeia.

Segundo Sputnik Ceska Republika, que cita o deputado tcheco Tomio Okamura e o presidente do partido Democracia Nacional, Adam Bartos, os manifestantes irão exigir também a convocação de um referendo sobre a saída do país da União Europeia.

Muro

A Europa de Leste tem outro precedente incomum na luta contra o tráfico ilegal de pessoas. Nesta quarta-feira, teve lugar em Budapeste uma coletiva de imprensa conjunta dos chefes dos governos da Hungria e da Sérvia, dedicada à iniciativa húngara de construir um muro na fronteira entre os dois países.

© AP Photo / Boris GrdanoskiMigrantes da Síria e do Afeganistão embarcam em trem na Macedônia rumo à Sérvia. Número de refugiados em 2014 foi recorde.
Migrantes da Síria e do Afeganistão embarcam em trem na Macedônia rumo à Sérvia. Número de refugiados em 2014 foi recorde. - Sputnik Brasil
Migrantes da Síria e do Afeganistão embarcam em trem na Macedônia rumo à Sérvia. Número de refugiados em 2014 foi recorde.

Uma menina afegã de uma família de refugiados que está agora perto da cidade de Subotica, na Sérvia - Sputnik Brasil
Sérvia não quer viver em Auschwitz europeu
A Sérvia, que não faz parte da União Europeia e portanto não integra o espaço Schengen, é um território de trânsito para uma parcela considerável de imigrantes da África e do Oriente Médio. A Hungria pretende usar o muro para reforçar a fronteira, fortalecendo o serviço de guarda fronteiriça em postos de controle e protegendo o resto com pedra e tijolo.

"Agora estão chegando muitas pessoas, os países da Europa Ocidental querem devolvê-los para nós, de modo que resulta que estamos sendo pressionados tanto do Sul, como do Ocidente", disse o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban.

"Eu gostaria que [o primeiro-ministro da Sérvia] Aleksandar Vucic me compreendesse, e eu dei-lhe garantias de que estas medidas não são voltadas contra a Sérvia", assegurou Orban.

Vucic reagiu dizendo que a iniciativa húngara, definitivamente, não é agradável, mas que a Sérvia espera "encontrar uma solução comum através de ações conjuntas".

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