Juiz pode terminar com “nepotismo” entre serviços secretos da Alemanha e EUA

© AP Photo / Patrick SemanskInstalações da NSA em Fort Meade, Maryland
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A comissão parlamentar de investigação do caso de espionagem na Alemanha terá novo presidente. É provável que seja Kurt Graulich. Ele foi juiz federal da Alemanha até a sua demissão em fevereiro do ano em curso e, segundo vários comentaristas alemães, pode animar a investigação, que há um tempo permanece quase parada.

Ainda há certa vacilação por parte dos EUA, que hesitam para "não revelar segredos de Estado". No entanto, o Bundestag, parlamento alemão, critica fortemente a postura dos EUA e do próprio governo alemão pela demora na investigação.

Os EUA ainda não consentem que os dados sobre os alvos vigiados sejam divulgados. São telefones fixos, celulares, endereços de domicílio e e-mails etc. De acordo com o jornal Die Welt, a parte estadunidense nem permite ao representante da comissão parlamentar alemã conferir a lista das pessoas vigiadas.

Já segundo o colunista Mattias Nass, do Zeit, a nomeação de um juiz como representante oficial na comissão parlamentar para investigar a espionagem realizada durante anos pela NSA norte-americana juntamente com o BND alemão, pode mudar a situação. Para ele, "não se observa nenhuma transparência nas relações entre a Alemanha e os Estados Unidos, senão um nepotismo descarado entre estes serviços [de inteligência], que hoje está à vista de toda a comunidade democrática".

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No início deste mês de junho, o governo alemão tinha anunciado que podia divulgar os dados sobre a espionagem norte-americana no país e em outros Estados europeus. Naquela altura, houve rumores da parte estadunidense de que o seu presidente Barack Obama poderia boicotar neste caso a cúpula do G7, realizada na Baviera. Os dados permanecem em segredo.

Já na terça-feira da semana em curso, uma publicação do WikiLeaks, projeto que divulga vazamentos de informações secretas e sensíveis a nível mundial, contou que a NSA espionou também três presidentes da França, a saber: Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande.

Para o escritor e sociólogo francês Nicolas Bonnal, os EUA vigiam qualquer um:

"…e especialmente Merkel e Hollande, que sempre consentem. Os governos europeus fazem tudo o que os americanos querem, o mesmo acontece com a nossa mídia. Privatizações? Sim, claro! O acordo ultrassecreto TTIP, que pode destruir todo o que restará das nações europeias? Façam favor! Fronteiras abertas e fluxo incontrolável de imigrantes? Sim, à vontade. Guerra no Iraque? Muito bem, aceitamos. Guerra na Síria, na Líbia, na Ucrânia? Estamos prontos. Armamentos pesados e mísseis nucleares contra a Rússia? Por que não?"

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