Em meio a tensões, rei da Arábia Saudita aceita convite de Putin para ir à Rússia

© AFP 2022 / FAYEZ NURELDINESalman bin Albdulaziz Al Saud, atual rei saudita, cercado por seguranças
Salman bin Albdulaziz Al Saud, atual rei saudita, cercado por seguranças - Sputnik Brasil
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O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, aceitou o convite do presidente russo Vladimir Putin para visitar Moscou, segundo informou o príncipe herdeiro adjunto e ministro da Defesa Mohammad bin Salman, em comunicado nesta quinta-feira (18).

"O Guardião das Duas Mesquitas Sagradas [título usado por Salman, em referência às mesquitas de Meca e Medina] confirma que aceita o convite para visitar a Rússia", disse o príncipe.

Aproveitando a ocasião, o porta-voz saudita também convidou Putin para visitar a Arábia Saudita em nome do rei. O líder russo, por sua vez, disse que ficaria feliz em visitar o reino, dizendo se lembrar “da calorosa recepção que [recebeu]” no país. 

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O príncipe disse ainda que seu país considera a Rússia um parceiro importante e recordou que a União Soviética foi o primeiro país a reconhecer o reino árabe em 1926.

O Rei Salman, 79 anos, chegou ao poder em 23 de janeiro deste ano, após a morte de seu meio-irmão Abdullah. Putin supostamente fez o convite ao monarca durante uma conversa telefônica em 20 de abril, cujo tema girou em torno da crise no Iêmen e culminou no compromisso mútuo de estreitar a cooperação entre os dois países, de acordo com o serviço de imprensa do Kremlin.

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As relações entre Moscou e Riad sofreram certo abalo com os conflitos na Síria e no Iêmen. A Rússia tem sido crítica a respeito dos ataques aéreos liderados pelos sauditas contra os rebeldes Houthis que recentemente tomaram o controle sobre grandes partes do Iêmen. Por outro lado, a Arábia Saudita também acusa o Irã de fornecer armas e treinamento para os Houthis – alegações negadas pelo governo iraniano, um importante aliado de Moscou na região.

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Além disso, desde a eclosão do conflito na Síria, em 2011, e em linha com a política norte-americana, Riad tem defendido o afastamento do presidente sírio Bashar Assad, cujas tropas se veem atualmente envolvidas no combate a uma série de grupos rebeldes atuantes no país, dentre eles o Estado Islâmico. Já a Rússia, na contramão dos interesses geopolíticos ocidentais, têm defendido diplomaticamente os princípios de soberania no direito internacional, a legitimidade do governo de Assad e a necessidade de um diálogo nacional abrangente na Síria para resolver a crise.

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A tensão diplomática entre os dois maiores exportadores mundiais de energia também tem sido sugerida como uma das razões para os baixos preços do petróleo. Dada a atual política de sanções ocidentais contra Moscou, alguns analistas têm especulado que a Arábia Saudita pode estar usando suas enormes reservas de petróleo para inundar o mercado e manter os preços baixos, em um esforço para enfraquecer as receitas de exportação da Rússia. 

"Se o petróleo pode servir para trazer a paz na Síria, eu não vejo como a Arábia Saudita se absteria de tentar chegar a um acordo", disse um diplomata saudita ao jornal New York Times, em fevereiro.

Neste contexto, Abdulaziz será o primeiro líder do reino saudita a visitar a Rússia. Putin, por sua vez, fez a primeira visita oficial de um líder russo à Arábia Saudita em 2007, onde discutiu com o então monarca Abdullah as tensões regionais no Iraque e na Palestina.

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