Escândalo em torno do futebol em vez de espionagem internacional

© AFP 2022 / FABRICE COFFRINIPausa durante a reunião da FIFA em 29 de maio de 2015.
Pausa durante a reunião da FIFA em 29 de maio de 2015. - Sputnik Brasil
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Os EUA estão usando várias circunstâncias para fazer seu o processo da corrupção na FIFA.

Segundo o dirigente do departamento do direito da Câmara de Comércio Alemanha-Rússia, Thomas Brand, contatado pela Sputnik Deutschland, o escândalo em torno da FIFA não significa revisão dos acordos sobre o lugar do campeonato mundial de futebol em 2018.

Em 2010, a Rússia foi escolhida oficialmente como sede da Copa do Mundo 2018. O país tem realizado enormes preparativos, construindo estádios modernos e melhorando a infraestrutura. Pela primeira vez um campeonato mundial de futebol terá lugar na Rússia.

Pretexto para investigação

Em entrevista à Sputnik, o advogado norte-americano Paul Green notou que as transações da FIFA envolviam dinheiro e bancos estadunidenses. Este fato foi usado pelos EUA para iniciar a investigação e realizar as detenções.

Para Green, a Justiça dos Estados Unidos já planejou toda a operação, preparando a evidência e as provas necessárias:

"Eu ficaria meio desorientado se alguém me dissesse que o Ministério da Justiça e a Promotoria Geral dos EUA não estavam 100% certos de que o caso estava já pronto <…> E ficarei surpreendido se todas essas pessoas [detidas pelos EUA no quadro do escândalo da FIFA] não forem condenadas — ou, pelo menos, deixadas em liberdade provisória. Porque o governo dos EUA não iria se comprometer sem estar 100% certo de que iam ser condenados".

O jurista destaca que as prisões foram feitas na véspera das eleições na Federação Internacional de Futebol (FIFA), o que pode significar que o autor do caso penal pode querer influenciar o processo.

Os EUA já pediram a extradição dos nove funcionários da FIFA presos por corrupção. Contudo, observadores internacionais notam que o pedido de extradição carece de fundamento. A maioria dos detidos não deveria estar sujeita ao acordo sobre extradição assinado entre os EUA e a Suíça, já que eles não são cidadãos suíços.

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Corrupção

Já o escritor alemão, Martin Gessmann, autor do livro "Filosofia do Futebol", reconhece que "a história da FIFA é cheia de manipulações indecentes e corrupção". Ele acredita que o escândalo atual é algo que era de se esperar.

Contudo, o que resulta interessante e até preocupante é a participação exageradamente ativa dos EUA, ressalta Gessmann:

"É realmente surpreendente que uma intervenção dos Estados Unidos seja necessária para a abertura de um processo penal. A FIFA não devia permitir isso, e a Suíça também".

Para o escritor, já está passando da hora de a FIFA realizar um trabalho para eliminar a corrupção.

As medidas agora assumidas pelos EUA para fazer "limpeza" na FIFA podem ser justas e necessárias para pôr fim à corrupção. Só preocupa que são realizadas por um país terceiro, que não tem ligação direta com o assunto. Usando este escândalo para fortalecer a sua imagem de "benfeitor internacional", os Estados Unidos provavelmente irão promover os seus interesses em outros assuntos internacionais, politizando até o extremo o problema da FIFA.

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Escândalo que serve de escudo

O processo de corrupção na FIFA acontece na véspera da cúpula do G7 na Alemanha. O encontro presidencial já foi minado pela iminência da continuação do escândalo da espionagem que realizava a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), junto com o Serviço Nacional de Inteligência da Alemanha (BND).

No início desta semana, surgiram rumores de que o presidente dos EUA podia até recusar-se a viajar à Alemanha caso Berlim publique os dados sobre quase 500 mil objetos de espionagem e monitoramento não autorizado (e-mails, endereços postais, telefones etc.). Fontes próximas do governo em Washington desmentiram estas informações, mas ainda não houve reação oficial de Barack Obama.

O Bundestag (parlamento alemão) exige a publicação desses dados até 6 de junho, um dia antes da cúpula presidencial. Se tal acontecer, os presidentes do G7 terão muito mais o que discutir.

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