EUA bombardeiam Iêmen e depois oferecem “ajuda humanitária”

© REUTERS / Michael DalderSecretário de Estado dos EUA, John Kerry
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O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou hoje (6), em Djibouti, que Washington vai destinar mais de US$ 68 milhões para ajudar as organizações humanitárias a atender às necessidades de quase 16 milhões de pessoas que precisam de assistência no Iêmen, incluindo 300 mil recém-deslocados internamente.

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O que o chefe da diplomacia norte-americana não menciona, entretanto, é a responsabilidade de seu país na assustadora crise humanitária vivida pelo país árabe. 

Em relatório divulgado no último domingo (3), por exemplo, a ONG de direitos humanos Human Rights Watch denunciou o uso de bombas de fragmentação fabricadas pelos EUA nos bombardeios aéreos liderados pela Arábia Saudita contra as posições houthis no Iêmen, em uma ofensiva ilegal que conta com o apoio de Washington, mesmo sem o aval do Conselho de Segurança da ONU. E, além de tudo, mesmo que exista um tratado de 2008, assinado por 116 países, que proíbe esse tipo de armamento devido ao sério risco que ele representa para as populações civis, dado o largo alcance de destruição que ele provoca.

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Segundo Kerry, porém, os US$68 milhões deverão apoiar as atividades do Programa Alimentar Mundial, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, do Fundo das Nações Unidas para a Infância e outras organizações, fornecendo alimentos, água, abrigo, assistência médica, proteção e outros tipos de assistência humanitária. 

Com este anúncio, de acordo com o site do Departamento de Estado norte-americano, o financiamento dos EUA para a ajuda humanitária no Iêmen já totaliza mais de US$ 188 milhões nos anos fiscais de 2014 e 2015.

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No entanto, devido aos ataques aéreos realizados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, todas as entregas de alimentos, medicamentos e energia dentro do território iemenita estão paralisadas. Além disso, as remessas navais estão atrasadas e todos os aeroportos do país foram fechados ao tráfego civil. 

Na sexta-feira passada (1º), o Conselho de Segurança da ONU decidiu realizar um encontro emergencial para tratar da crise humanitária no Iêmen, a pedido da Rússia, que recentemente apresentou um projeto de resolução exigindo o estabelecimento de tréguas humanitárias para levar a assistência tão necessária à população, bem como para retirar os cidadãos estrangeiros do país.

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O Iêmen vive um cenário de guerra civil desde que os rebeldes xiitas houthis, protestando por maior representação no governo, tomaram o controle da capital Sanaa e forçaram o presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi e seu gabinete a renunciar. Posteriormente, Hadi, que já havia fugido do país, mudou de ideia e pediu ajuda internacional para recuperar o poder, e a Arábia Saudita, apoiada pelos EUA, que temem a expansão do movimento xiita no Oriente Médio devido a uma suposta ligação com o Irã (também xiita), resolveu bombardear as posições houthis. Segundo dados da ONU, mais de mil pessoas já morreram no Iêmen desde o início dos ataques.

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