Vestido preto e laranja: ELLE muda de capa após ameaças de radicais ucranianos

© Hearst Magazines UKCapa original da revista ELLE na Ucrânia
Capa original da revista ELLE na Ucrânia - Sputnik Brasil
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A versão ucraniana da revista de moda ELLE deu um passo sem precedentes e substituiu a capa de sua edição de maio devido à pressão de ultranacionalistas ucranianos, segundo informa o jornal Rossiyskaya Gazeta nesta segunda-feira (27).

Mensagens de ameaça passaram a chegar à redação da revista em Kiev depois que os outdoors da cidade começaram a exibir a capa do próximo número da publicação, que trazia a atriz norte-americana Michelle Williams vestida em tons de laranja e preto. Isso bastou para os radicais ucranianos se sentirem ofendidos, na medida em que viram na escolha dos editores as cores emblemáticas da Fita de São Jorge, que na Rússia é associada a uma campanha de celebração da grande vitória soviética sobre a Alemanha nazista, há 70 anos.

A despeito de serem claramente absurdas, as ameaças fizeram a ELLE mudar sua capa, que agora traz outra foto de Williams, mas dessa vez vestindo um conjunto de preto e branco.

O Rossiyskaya Gazeta lembra oportunamente que o vestido que tanto irritou os radicais ucranianos faz parte da nova coleção primavera-verão da Louis Vuitton e não é a única peça com as "cores de São Jorge" da marca de luxo francesa.

Ainda segundo o diário russo, agora os funcionários do zoológico de Kiev também estão ligeiramente preocupados com seus tigres – afinal, os neonazistas ucranianos podem resolver que é preciso esfolar os felinos devido à coloração "pouco patriótica" de sua pele.

Em 9 de abril, o presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, declarou que Adolf Hitler e Josef Stalin foram igualmente responsáveis por iniciar a Segunda Guerra Mundial. Tanto os líderes nazistas como os soviéticos, segundo ele, estiveram por trás do "massacre", com o objetivo de "dividir a Europa”.

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O polêmico discurso foi feito no mesmo dia em que o parlamento da Ucrânia, a Suprema Rada, aprovou um projeto da lei que equipara o comunismo ao nazismo, proibindo ambos os regimes e todos os seus símbolos na Ucrânia. Segundo o documento legislativo, nenhum dos símbolos e atributos soviéticos podem mais ser usados para lembrar as vítimas da guerra.

Enquanto isso, os movimentos nacionalistas radicais não param de se manifestar no país. Há pouco mais de uma semana, no sábado (18), um grupo de neonazistas marchou nas ruas de Odessa em memória à morte do ex-líder do grupo ucraniano ultranacionalista "Honra e Glória", Maxim Chaika, entoando palavras de ordem como “O homem branco é para a Grande Ucrânia", "Uma raça, uma nação, uma pátria", e "Enforquem os comunistas".

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A Rússia tem chamado a atenção para a perigosa tendência no país vizinho, bem como para as tentativas de distorcer a História e deslegitimar o papel fundamental da URSS na derrota da ameaça nazista em 1945. No entanto, o atual governo de Kiev, empoderado após um golpe de Estado executado em fevereiro do ano passado (com o apoio dos EUA e da União Europeia, bem como de facções ultranacionalistas de orientação neonazista, como o Setor de Direita e o batalhão paramilitar de Azov), segue desfrutando de uma conveniente complacência de seus aliados ocidentais, apesar de dar sinais evidentes de que está perdendo o controle da situação.

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