Será que EUA podem respeitar direito internacional e cessar as ameaças?

© AFP 2022 / FABRICE COFFRINIJavad Zarif durante uma coletiva de imprensa em Lausanne
Javad Zarif durante uma coletiva de imprensa em Lausanne - Sputnik Brasil
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Hoje começa a Conferência de Revisão sobre a implementação do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), na sede da ONU em Nova York.

De acordo com a mídia dos EUA, que cita o Departamento de Estado norte-americano, John Kerry realizará na segunda-feira, no âmbito da conferência, uma reunião com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif.

Este encontro e as conversações serão as primeiras dos chanceleres desde as negociações em Lausanne de 2 de abril, quando foi assinado o acordo-quadro sobre as vias de solução do problema nuclear iraniano.

As relações entre os EUA e o Irã são complicadas. Ao chegar a Washington, Zarif declarou aos jornalistas que, primeiramente, exigirá aos EUA que expliquem as declarações ameaçadoras das últimas semanas.

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Por exemplo, a declaração do vice-presidente Joe Biden sobre o contrato de fornecimento a Israel de caças de quinta geração F-35 para "ajudar Israel a manter a sua superioridade militar no Oriente Médio."

Ainda mais cedo, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que os sistemas russos de defesa antiaérea S-300 não serão um obstáculo para os EUA atacarem instalações nucleares do Irã. O lado iraniano exige uma explicação.

Qual poderá ser a resposta? E será que os EUA vão responder?

O analista político iraniano do canal televisivo Press TV, Hassan Beheshtipour, comentou a situação à Sputnik Persian.

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“A realidade é que os Estados Unidos são um país com um regime especial, que mantém uma política expansionista. Um dos meios para alcançar objetivos deste regime é o uso constante de ameaças contra adversários estrangeiros. Mas os iranianos, durante os 36 anos desde a vitória na revolução islâmica, já desenvolveram imunidade contra tais ameaças.

Segundo o direito internacional, os Estados Unidos são responsáveis por todas as ameaças que declaram contra qualquer país. Mas algumas forças nos círculos do poder nos EUA continuam a defender a sua posição. Por exemplo, por detrás do fornecimento de caças de última geração F-35 à Israel está o "lobby sionista" no Congresso dos EUA. Os norte-americanos estão fazendo tudo o possível para agradar aos seus aliados na região do Oriente Médio.

O partido Democrático no Congresso dos EUA pode tentar mostrar a Israel que ‘sim, estamos perto de um acordo com o Irã sobre o programa nuclear, mas a segurança de Israel é mais importante para nós’. Por isso eles fornecem armamentos a Israel. No mesmo tempo, o Irã só exige que Israel deixe a sua política agressiva e não ataque nenhum país, porque a segurança na região sofreria com isso.

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Então, todas as ameaças e declarações contra o Irã são feitas, por um lado, para promover a sua política e uma guerra de informação desencadeada pelos meios de comunicação, e, por outro — para agradar ao "lobby sionista". O Irã nesta situação tem o direito de exigir esclarecimentos”.

Segundo Hassan Beheshtipour, o Irã, como membro do TNP, tem o direito de exigir o respeito pelo direito internacional e preservar a sua segurança. Portanto, na próxima reunião com o secretário de Estado, esta questão será levantada. Mas a resposta do lado americano é difícil de prever, porque "tudo vai depender do talento dos diplomatas de falar na língua do direito internacional".

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