EUA tentam formar aliança com Japão contra China e Rússia

© AFP 2022 / DOMINICK REUTERShinzo Abe em 27 de abril de 2015 no local do atentado da Maratona de Boston de 2014
Shinzo Abe em 27 de abril de 2015 no local do atentado da Maratona de Boston de 2014 - Sputnik Brasil
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O premiê do Japão, Shinzo Abe, fechará nesta terça-feira (28) um acordo comercial com os EUA. Especialistas comentam que a visita não irá ajudar consideravelmente o Japão, já que os Estados Unidos só perseguem seus próprios interesses.

A parte estadunidense prepara para Abe uma receção digna de chefe de Estado, com um jantar em sua honra na Casa Branca, para sublinhar a sua aliança com o Japão, com a qual pretendem aumentar a sua influência na região da Ásia-Pacífico.

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Mas nem todas as controvérsias regionais podem ser resolvidas por esta visita (se é que alguma será). Os EUA esperam do primeiro-ministro Abe uma declaração sobre a Segunda Guerra Mundial, nas vésperas das comemorações da Vitória. No entanto, comentaristas asiáticos (por exemplo, Lee Myon-woo, vice-presidente do Instituto Sejong, da Coreia do Sul) notam que o premiê é "obstinado" no que toca ao tradicional militarismo japonês. Na Conferência Asiático-Africana em Bandung, em 22 de abril, ele quase omitiu todo o assunto da Segunda Guerra Mundial.

Isso preocupa tanto a Coreia do Norte, como a China. E também os Estados Unidos. Estes três Estados formam um "triângulo" com um sistema de interações complicado. O crescente poderio regional da China leva os EUA a cooperar com o Japão para enfraquecê-la. No entanto, o Japão se dá conta da importância da China, sua vizinha, e não quer estragar as relações com esse país por completo.

Um sinal disso é o encontro sino-japonês realizado durante a conferência de Bandung, acredita o ex-vice-secretário-geral do Gabinete japonês, Tsuyoshi Saito:

"Talvez este encontro sino-japonês não tenha ocorrido por acaso justamente na véspera da visita de Abe aos EUA. Não foi um encontro simples. É importante não só para o desenvolvimento das relações bilaterais sino-japonesas, coreano-japonesas ou russo-japonesas, mas também para a manutenção da paz em todo o leste da Ásia. O que também corresponde aos interesses dos Estados Unidos, que têm uma estratégia própria na Ásia".

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Mas tanto a Rússia, como a China estão entre os países que os EUA gostariam de ver com menos poder. E isso é uma contradição importante.

Washington pretende alcançar um "equilíbrio" na Ásia do Pacífico. Mas o "equilíbrio" de Washington significa mais peso de Washington. No entanto, a China está conquistando cada vez mais espaço econômico na região, primeiro, com assinatura de acordos de parceria (por exemplo, com a Coreia do Sul, há uns meses), e depois, com a criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês). O AIIB já tem pedidos de adesão até de países considerados como aliados dos EUA.

Isso, sem contar com o Novo Banco de Desenvolvimento e o Arranjo Contingente de Reservas dos BRICS, recentemente ratificado pela Rússia. Deste modo, o peso econômico e financeiro da China irá crescendo, e os EUA terão que buscar novas vias — ou se adaptar à perda da sua versão de "equilíbrio" em prol de um equilíbrio regional com menos influência externa.

Resulta que a "missão" de Abe nos EUA é quase impossível, acredita Andrei Ivanov, do Instituto da Pesquisa Internacional da Universidade das Relações Internacionais de Moscou:

"[Os EUA e a China] são grandes parceiros comerciais e econômicos. Mas os EUA não conseguiram fazer com que a China seja seu parceiro e aliado político, porque Washington tem a obsessão messiânica de domínio mundial e por isso não quer parceiros, mas sim vassalos. Foi por isso que os EUA rejeitaram a Rússia. Washington também tem sempre olhado o Japão tão só como um instrumento de proteção dos interesses norte-americanos na Ásia. Os estadunidenses irão tentar manter esta função do Japão para o máximo prazo possível".

A visita de sete dias do chefe do governo japonês irá ser difícil para ele. A aliança com os EUA forçará o seu país a reduzir a parceria com a China e outros países da região. Com isso, nem vence o Japão, nem os EUA.

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