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Roscosmos nega participação russa no rompimento do acordo espacial entre Brasil e Ucrânia

© AFP 2021 / NASA/ HANDOUTRio de Janeiro e São Paulo vistas da EEI
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Uma fonte ligada à agência espacial russa, Roscosmos, disse em entrevista à Gazeta Russa que Moscou não teve qualquer influência sobre a decisão brasileira de cancelar a parceria com a Ucrânia para lançamento de foguetes da base espacial de Alcântara, no Maranhão, como havia sido sugerido ontem pela Folha de S. Paulo.

“A Roscosmos almeja a ampliação das relações de cooperação, mas isso não significa que façamos qualquer pressão e limitemos as possibilidades de relações entre nossos parceiros e outros países”, teria dito a fonte anônima citada pela Gazeta. 

Segundo a matéria publicada pela Folha na última quinta-feira, a diplomacia russa teria pressionado “discretamente o Brasil a abandonar o acordo com seus rivais ucranianos”, depois de Kiev e Brasília terem investido cerca de R$ 1 bilhão no projeto ao longo dos últimos 12 anos. 

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Jornal afirma que Brasil irá romper contrato com a Ucrânia para a base de Alcântara
Entretanto, para o diretor do Instituto de Políticas Espaciais, Ivan Moisseev, essa ideia parece um pouco confusa e incoerente, uma vez que a Rússia não tem projetos de instalar porta-foguetes no Brasil, como havia sido acordado com a Ucrânia. Ele argumenta que a Roscosmos poderia, sim, propor a produção conjunta de um foguete, mas esse seria um projeto muito mais longo e “sem perspectivas comerciais claras”. 

De acordo com O Estado de São Paulo, o acordo entre brasileiros e ucranianos previa que a Ucrânia ficaria responsável pela produção do foguete, enquanto os dois países rachariam a conta das obras de reconstrução da base maranhense, destruída em 2003 por uma explosão durante os preparativos para o lançamento do foguete brasileiro VLS-1. Para levar o projeto adiante, os dois países criaram em 2006 a Alcântara Cyclone Space (ACS), mas, por razões financeiras e de outras naturezas, o lançamento programado para 2010 acabou sendo adiado, e a última previsão era de que ele seria realizado neste ano. 

Em janeiro passado, no entanto, levando em consideração os altos custos do projeto e a atual situação econômica do país, bem como a instabilidade política na Ucrânia, a presidenta Dilma Rousseff decidiu, junto com quatro ministros, cancelar o acordo espacial. Mas, segundo Folha e Estadão, até o momento, os ucranianos não foram formalmente notificados. 

Procurada pela agência Sputnik, a empresa binacional ACS, que pode estar com seus dias contados, não quis comentar o caso, que, segundo ela, hoje diz respeito ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

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