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15 Dezembro 2013, 14:01

A Internet pode se desintegrar

A Internet pode se desintegrar

Em 2014, a Internet, no seu sentido global habitual, poderá desaparecer e o seu lugar ser ocupado por dezenas de redes nacionais com acesso limitado a recursos estrangeiros. Mas a ameaça real de redução do espaço da Internet parte das próprias redes, pois tem lugar um ataque comercial contra cada um dos utilizadores, em torno dos quais se constrói o próprio mundo virtual.

As conversas sobre a segmentação e desintegração da Internet em domínios nacionais não são novas. A empresa antivírus russa Laboratório Kasperski publicou um prognóstico semelhante a este propósito.

Porém, por enquanto, nada ameaça a integridade da Internet, considera Fiodor Smirnov, secretário da secção russa da organização internacional Internet Society (ISOC Russia Chapter):

"Não observamos uma fragmentação crescente da Internet. Pelo contrário, a rede global foi e continua a ser um espaço que une diferentes línguas, culturas, tecnologias e visões do mundo. Recentemente, o consórcio internacional ICAN, que gere o sistema de endereços na Internet, alterou a sua palavra de ordem, que soa assim: One world one Internet (Um mundo, uma Internet). Esta posição torna-se cada vez mais visível também na esfera da regulamentação da Internet. Por outras palavras, pensamos que, hoje, a Internet adquire em cada país traços nacionais específicos. E este é um processo muito natural. Mas, ao mesmo tempo, conservar-se-á o meio global, tanto no plano técnico, como no plano informativo”.

Há exemplos de realização tecnológica de Internet com características marcadamente nacionais. Por exemplo, a Internet chinesa. A grande firewall chinesa. Mas, segundo o perito, não existem premissas para que o mundo avance nessa direção. Além disso, com o desenvolvimento da computação em nuvem, torna-se cada vez mais complicado fechar a informação.

Porém, há outras opiniões. Alguns peritos consideram que, com o aumento da ameaça à segurança na Rede, a tendência para o isolacionismo na Internet vai aumentar. E isto, por sua vez, conduzirá ao desenvolvimento de darknets criadas por criminosos cibernéticos com servidores anónimos e acesso através de palavras-passe especiais.

Ao falar das perspetivas de desintegração da Internet, não se pode esquecer que ela já é significativamente limitada, nomeadamente pelas legislações nacionais. Hoje, nem todos os serviços estão acessíveis nas várias partes do mundo, constata Anton Merkulov, perito em Internet:

“Na realidade, a Internet está há muito tempo segmentada, porque, se pegarmos na lei sobre direitos de autor, que é diferente nos diversos países, os utilizadores já sabem que não podem recorrer a muitos serviços americanos e ingleses. E se saírem da Federação da Rússia e tentarem ver um filme russo legalmente, comunicam-vos que esse conteúdo está acessível apenas no território da Federação da Rússia”.

Há alguns anos atrás, a perspetiva de segmentação da Internet parecia muito pouco provável, considera Ekaterina Aksionova, diretora-geral da empresa de criação de sítios Strateg, em declarações à Voz da Rússia. Hoje, não existem apenas sub-redes nacionais, mas também limitações para os utilizadores. Por exemplo, em muitas lojas online dos EUA não se pode fazer compras se não se residir nesse país. A segmentação da Internet avança em várias direções, sublinha Aksionova. A política do Estado é apenas uma delas:

“Por enquanto, não existe qualquer possibilidade de, no futuro, a Internet se desmembrar em cento e tal redes separadas. O mais provável é que haja uma separação em relação à Internet internacional comum, uma espécie de Internet plus, por exemplo, uma Internet americana e várias redes fechadas para os cidadãos de regimes totalitários”.

Uma ameaça muito mais séria para os utilizadores não parte dos Estados, mas das empresas comerciais que investem meios enormes na recolha e tratamento de informação sobre cada um de nós, é aquilo a que se chama a personalização da Internet. Ekaterina Aksionova sublinha: são poucos os que falam de um fenómeno como a criação voluntária da sua própria micro-Internet, em grande parte imposta por empresas globais:

“Além da criação de Internets para habitantes de Estados particularmente infelizes, nós avançamos no sentido em que cada pessoa forme a sua própria Internet. Todos os servidores comerciais se viraram de forma tão poderosa para a personalização, para a adaptação a cada utilizador concreto, que se torna mesmo aterrador. Se você faz uma busca sobre alguma coisa no seu computador e eu no meu, nós obtemos surpreendentemente resultados diferentes. Quando você entra na página principal da Amazon e eu entro na página principal da Amazon, nós vemos duas lojas diferentes. Se formos procurar, por exemplo, um seguro, nós recebemos a mesma proposta, mas com preços diferentes. Porque os fornecedores desses serviços não fazem propostas em geral. Eles analisam toda a informação que acumularam sobre você e sobre mim, avaliam o risco consoante o seu e o meu perfil de clientes e fazem propostas completamente diferentes. Se esta tendência se conservar, iremos ver-nos na nossa internetzinha, que irá enviar, consoante o nosso perfil, notícias, publicidade, propostas de serviços e até pessoas com as quais nos pudemos relacionar. Penso que esta perspetiva não é menos terrível”.

Recentemente, entre os peritos em Internet apareceu uma piada: os funcionários das companhias de seguros nunca pagam a alimentação na Internet com cartões de crédito, pois a escolha de pratos começará logo a influir no preço dos seguros médicos. Toda a brincadeira tem um fundo verdadeiro...

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