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Especialista: Bolsonaro defende presidente do Paraguai e interfere em negociações da Eletrobras

© Alexandre Marchetti/ Itaipu BinacionalUsina Hidrelétrica de Itaipu
Usina Hidrelétrica de Itaipu - Sputnik Brasil
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Identificação ideológica de Bolsonaro com o presidente do Paraguai basta para impedir o aprofundamento da crise entre Brasil e Paraguai?

Para preservar o presidente paraguaio, o conservador Mario Abdo Benítez, Bolsonaro derrubou recomendação do corpo técnico da Eletrobras de não anular a ata sobre compra de energia da usina de Itaipu, assinada em maio por representantes dos dois países.

Os países terão de fazer uma nova negociação. A tentativa de preservar o mandato de Benítez pode influenciar nas novas negociações ainda mais quando mensagens vazadas na imprensa paraguaia nesta terça-feira mostram que o presidente do país estava a par dos detalhes da negociação com o Brasil?

Sputnik Brasil conversou sobre o tema com Eduardo Heleno de Jesus Santos, especialista em políticas latino-americanas e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF).

"Mario Abdo Benítez tem uma história que aproxima ele do Bolsonaro. Em primeiro lugar, o pai dele fez parte da ditadura de [Alfredo] Stroessner, conhecida por ter uma forte ligação dos militares com o partido Colorado. Então de certa forma a campanha de Mario foi muito identificada com os valores que o Bolsonaro utilizou aqui no Brasil, ligada a uma visão específica sobre o regime militar, uma negação de certos aspectos da violência do Estado ocorrida naquela época e a defesa de valores vistos por eles como sendo da família, valores conservadores", explicou o professor.

Para o interlocutor da Sputnik, para Bolsonaro, do ponto de vista político, a manutenção de um aliado que compartilha sua ideologia é muito importante e poderia interferir na negociação com a Eletrobras.

​Segundo o especialista, no entanto, "muita coisa está em jogo" no país vizinho com a revelação dos detalhes da negociação do acordo com a Itaipu.

"No Paraguai há uma visão sobre a política externa brasileira, na qual ainda há uma referência ao que eles chamam de 'a grande guerra', que foi a guerra do Paraguai", afirmou o acadêmico.
Os paraguaios enxergam "uma diferença muito grande, em termos econômicos e de crescimento, se sentem injustiçados pela maneira como o Brasil negociou no passado".

O tratado de Itaipu já foi alvo de renegociação diversas vezes, acrescentou o Jesus Santos, destacando existir quase um consenso na política do Paraguai "de que o país sempre deve obter uma vantagem diante da simetria com Brasil".

O que ocorre é que o governo Bolsonaro tentou fazer um acordo junto ao governo paraguaio para a compra do excedente de sua energia por um valor menor.

"A negociação desse valor demanda uma atenção muito especial na política paraguaia. A influência de Itaipu no Paraguai é muito grande. E como o acordo, na visão dos políticos paraguaios, lesou os interesses nacionais, deu margem à tentativa de um processo de impeachment", ponderou entrevistado.

Para ele, no entanto, Benítez ainda conta com a maioria do Congresso. No entanto, a decisão final se dará no interior do partido Colorado, que há décadas estabelece os rumos políticos do país sul-americano.

"O partido Colorado, que tem sido o principal partido nos últimos 70 anos na política paraguaia...só foi substituído entre 2008 e 2012 com o governo de Fernando Lugo. Ele mantém uma grande força no Congresso e como partido preponderante tem uma série de divisões, de famílias que tem tradição...como a própria família de Benítez", concluiu o professor de Relações Internacionais.

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